A AFETIVIDADE NA RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO E SUAS IMPLICAÇÕES NA APRENDIZAGEM: UM ESTUDO COM ALUNOS DO 8° ANO DA REDE PÚBLICA DO MUNICÍPIO DE PRAIA GRANDE – SP – BRASIL

Monique Cucick

Resumen


O presente estudo tece reflexões sobre a afetividade no processo de aprendizagem de alunos dos anos finais do Ensino Fundamental, a partir da perspectiva desses adolescentes. Almejando responder o problema norteador, que foi o de analisar se a afetividade na relação professor-aluno traz implicações para a aprendizagem, este trabalho fundamentou-se em teóricos como: Wallon, Vygotsky, Mora, entre outros estudiosos, que fazem referência à dimensão afetiva, as interações sociais e ao processo de aprendizagem. No que tange as decisões metodológicas, neste estudo optou-se pelo enfoque qualitativo, para a obtenção de resultados aprofundados e precisos. Neste viés, para completar o enfoque adotado, elegeu-se o caráter descritivo, com a intenção de registrar, analisar e descrever as reais situações referentes aos aspectos afetivos que participam da dinâmica interativa da sala de aula e qual o seu papel no processo de ensino-aprendizagem. A técnica de investigação para a coleta de dados foi o questionário aberto, onde 31 alunos do 8º ano da Escola Municipal Sebastião Tavares de Oliveira, localizada em Praia Grande - SP, opinaram sobre as suas percepções acerca da importância da afetividade, no que se refere a atuações docentes que facilitam ou dificultam a aprendizagem, no tocante ao relacionamento professor-aluno e sobre o que os motivam/desmotivam a quererem estudar uma matéria. A análise e a interpretação dos dados coletados possibilitaram concluir que a afetividade possui papel determinante para a aprendizagem, que todas as mediações e intervenções que o professor realiza na condução da aula (prática pedagógica/relacionamento) afetam os alunos, favorecendo ou criando barreiras para o ato de aprender e que os conjuntos funcionais afetividade e cognição são indissociáveis, exercendo simultaneamente impactos um sobre o outro.

Citas


Almeida, A. R. S. (1999). A emoção na sala de aula. Campinas, BR: Papirus.

Almeida, L. R. de. (2004). Wallon e a Educação. In Mahoney, A. A. & Almeida, L. R. de. Henri Wallon: Psicologia e Educação. (4ª ed.). (pp. 71-87). São Paulo, BR: Edições Loyola.

Almeida, L. R. de. & Mahoney, A. A. (2007). Afetividade e aprendizagem: contribuições de Henri Wallon. (4ª ed.) São Paulo, BR: Edições Loyola. Almeida, S. F. C. de. (1993). O lugar da afetividade e do desejo na relação ensinar-aprender. Temas em Psicologia, 1(1), 31-44. Recuperado em 09 de junho de 2018, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X1993000100006&lng=pt&tlng=pt

Alves, A. M. (2010). O método materialista histórico dialético: alguns apontamentos sobre a subjetividade. Revista de Psicologia da UNESP 9(1), 1-13. Recuperado em 03 de fevereiro de 2018, de http://seer.assis.unesp.br/index.php/psicologia/article/download/422/400.

Arroyo, M. G. (2013). Ofício de Mestre: imagens e autoimagens. (14ª ed.). Petrópolis, BR: Vozes.

Bercht, M. (2001). Em direção a agentes pedagógicos com dimensões afetivas. (Tese de Doutorado). Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, BR.

Bernal, C. A. (2006). Metodología de la investigación: Para administración, economia, humanidades y ciencias sociales. (2ª ed.). Naucalpan, MX: Pearson Educación.

Bezerra, R. J. L. (2006). Afetividade como condição para a aprendizagem: Henri Wallon e o desenvolvimento cognitivo da criança a partir da emoção. Revista Didática Sistêmica, (4), 20-26. Recuperado em 11 de janeiro de 2019, de https://periodicos.furg.br/redsis/article/viewFile/1219/515.

Bohrer, J. H. (2010). A formação docente na perspectiva comunicativa da hermenêutica. (Dissertação de Mestrado). Universidade Federal de Santa Maria, RS, BR.

Brait, L. F. R., Macedo, K. M. F. de, Silva, F. B. da, Silva, M. R. & Souza, A. L. R. de. (2010). A relação professor/aluno no processo de ensino e aprendizagem. Revista Eletrônica do Curso de Pedagogia do Campos Jataí – UFG. 8 (1), 1-15.

Campoy, T. J. (2016). Metodología De La Investigación Científica: Manual Para Elaboración de Tésis y Trabajos de Investigación. Asunción, PY: Librería Cervantes.

Carlomagno, M. C. & Rocha, L. C. da. (2016). Como criar e classificar categorias para fazer análise de conteúdo: uma questão metodológica. Revista Eletrônica de Ciência Política, 7 (1), 173-188. Recuperado em: 08 julho de 2019, de: https://revistas.ufpr.br/politica/article/view/45771/28756.

Chalita, G. (2004). Educação: a solução está no afeto. São Paulo, BR: Editora Gente.

Chalita, G. (2014). Aprendendo com os aprendizes. São Paulo, BR: Cortez.

Chibeni, S. S. (1993). Descartes e o realismo científico. Reflexão, (57), 35-53. Recuperado em 17 de junho de 2018, de http://www.unicamp.br/~chibeni/public/descreal.pdf

Cunha, A. E. (2017). Afeto e aprendizagem: relação de amorosidade e saber na prática pedagógica. (4ª ed.). Rio de Janeiro, BR: Wak Editora.

Damásio, A. R. (1996). O erro de Descartes: emoção, razão e o cérebro humano. (Vicente, D. & Segurado, G., Trad.). São Paulo: Companhia das Letras.

Dantas, H. (2016). A Afetividade e a Construção do Sujeito na Psicogenética de Wallon. In Taille, Y. de L., Kohl, M & Dantas, H. (Orgs). Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. (pp. 85-98). São Paulo, BR: Summus Editorial.

Davis, C., Silva, M. A. S. S. & Espósito, Y. (1989). Papel e Valor das interações sociais em sala de aula. Caderno de Pesquisas, (71), 49-54. Recuperado em 07 de junho de 2018, de https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=6209062

Dér, L. C. S. & Ferrari, S. C. (2004). Estágio da Puberdade e da Adolescência. In Mahoney, A. A. & Almeida, L. R. de. (Orgs). Henri Wallon: Psicologia e Educação. (pp. 59-70). São Paulo, BR: Edições Loyola.

Díaz, F. (2011). O processo de aprendizagem e seus transtornos. Salvador, BR: EDUFBA.

Eccheli, S. D. (2008). A motivação como prevenção da indisciplina. Educar, (32), 199-213. Recuperado em 24 de março de 2018, de http://www.scielo.br/pdf/er/n32/n32a14.

Fonseca, V. da. (2018). Desenvolvimento cognitivo e Processo de Ensino-Aprendizagem: abordagem psicopedagógica à luz de Vygotsky. Petrópolis, BR: Vozes.

Franco, M. A. S. (2015). Práticas pedagógicas de ensinar-aprender: por entre resistências e resignações. Educação e Pesquisa, 41 (3), 601-614.

França, E. B. M. M. & Diniz, C. (2014). A Influência do Afeto no Processo de Aprendizagem. In Velasques, B. B. & Ribeiro, P. (Orgs.) Neurociências e Aprendizagem: Processos Básicos e Transtornos. (pp. 1-10) Rio de Janeiro, BR: Rubio.

Freire, P. (1996). Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. (29ª ed.). São Paulo, BR: Paz e Terra.

Freire, P. (1997). Professora, sim; tia, não: cartas a quem ousa ensinar. São Paulo, BR: Editora Olho d’água.

Galvão, I. (2003). Expressividade e emoções segundo a perspectiva de Wallon. In Arantes, V. A. (Org.). Afetividade na escola: alternativas teóricas e práticas. (4ª ed.). (pp. 71-88). São Paulo, BR: Summus.

Gerhardt, T. E. & Silveira, D. T. (2009). Métodos da pesquisa. Porto Alegre, BR: Editora da UFRGS.

Gil, A. C. (2008). Métodos e técnicas de pesquisa social. (6ª ed.). São Paulo, BR: Atlas.

Gómez, A. M. S. & Terán, N. E. (2009). Dificuldades de Aprendizagem: detecção e estratégias de ajuda. (Navarro, A. de A., Trad.). Brasil: Grupo Cultural.

Leite, S. A. da S. & Tagliaferro, A. R. (2005). A afetividade na sala de aula: um professor inesquecível. Psicologia Escolar e Educacional, (9), 247-260. Recuperado em 10 de janeiro de 2019, de http://www.scielo.br/pdf/pee/v9n2/v9n2a07.pdf.

Lopes, R. de C. S., (2011). A relação professor-aluno e o processo de ensino-aprendizagem. Recuperado em 15 de fevereiro de 2019, de: https://www.academia.edu/25260998/A_RELA%C3%87%C3%83O_PROFESSOR_ALUNO_E_O_PROCESSO_ENSINO_APRENDIZAGEM

Mahoney, A. A. & Almeida, L. R. de. (2004). Henri Wallon: Psicologia e Educação. (4ª ed.) São Paulo, BR: Edições Loyola. Mahoney, A. A., Almeida, L. R. de. & Almeida, S. H. V. de. (2007). Produção de Vigotski (e grupo) e Wallon: comparação das dimensões epistemológica, metodológica e desenvolvimental. Psicologia da Educação, (24), 35-50. Recuperado em 03 de fevereiro de 2019, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-69752007000100004&lng=pt&tlng=pt.

Marconi, M. de A. & Lakatos, E. M. (2003). Fundamentos de metodologia científica. (5ª ed.). São Paulo, BR: Atlas.

Mello, J. C. de. (2018). A alma humana: uma viagem ao interior do psiquismo e a suas raízes. São Paulo, BR: Labrador.

Mendes, D. B. (2017). Memórias afetivas: a constituição do professor na perspectiva de Henri Wallon. São Paulo, BR: Edições Loyola.

Miranda, E. (2012). Metodologia da investigação quantitativa e qualitativa: normas técnicas de apresentação de trabalhos científicos. (Amarilhas, C., Trad.). (2ª ed.). Asunción, PY: A4Diseños.

Mora, F. (2017). Neuroeducación: solo se puede aprender aquello que se ama. (2ª ed.). Madrid, ES: Alianza Editorial.

Moraes, M. C. (2007). O paradigma educacional emergente. (13ª ed.). Campinas, BR: Papirus.

Newman, F. & Holzman, L. (2002). Lev Vygotsky: cientista revolucionário. (Bagno, M., Trad.). São Paulo, BR: Edições Loyola.

Oliveira, M. K. de. (2016). Vygotsky e o Processo de Formação de Conceitos. In Taille, Y. de L., Kohl, M & Dantas, H. (Orgs). Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. (pp. 23-34). São Paulo, BR: Summus Editorial.

Oliveira, M. K. de. (2016). O problema da afetividade em Vygotsky. In Taille, Y. de L., Kohl, M & Dantas, H. (Orgs). Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas em discussão. (pp. 75-84) São Paulo, BR: Summus Editorial.

Oliveira-Silva, P. (2018). Olhar a Educação a partir das Neurociências. In J. Machado, J. M. Alves (Orgs.), Conhecimento e Ação: transformar contextos e processos educativos (pp. 112-118). Porto, PT: Universidade Católica Editora.

Pereira, J. J. B. J. & Francioli, F. A. de S. (2011). Materialismo hístórico-dialético: contribuições para a teoria histórico-cultural e a pedagogia histórico-crítica. Germinal: Marxismo e Educação em Debate, 3 (2), 93-101. Recuperado em 13 de janeiro de 2019, de https://portalseer.ufba.br/index.php/revistagerminal/article/download/9456/6888. Piletti, N. & Rossato, S. M. (2018). Psicologia da aprendizagem: da teoria do condicionamento ao construtivismo. São Paulo, BR: Contexto. Rego, T. C. (2014). Vygotsky: uma perspectiva histórico-cultural da educação. (25ª ed.). Petrópolis, BR: Vozes. Ribeiro, M. L. (2010). A afetividade na relação educativa. Estudos de Psicologia, 27(3), 403-412. Recuperado em 18 de fevereiro de 2019, de http://www.scielo.br/pdf/estpsi/v27n3/12.pdf. Ribeiro, M. L., Jutras, F. & Louis, R. (2005). Análise das representações sociais de afetividade na relação educativa. Psicologia da Educação, (20), 31-54. Recuperado em 08 de junho de 2018, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-69752005000100003&lng=pt&tlng=p

Rosa, G. P. da & Deps, V. L. (2015). Desatenção do aluno e estratégias de aprendizagem no contexto escolar. Revista Científica Interdisciplinar, 2(4), 247-258. Recuperado em 21 de março de 2018, de http://revista.srvroot.com/linkscienceplace/index.php/linkscienceplace/article/viewFile/167/106. Scharpf, L. (2008). Afetividade em sala de aula: um estudo com adolescentes da rede pública de ensino. (Dissertação de Mestrado). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, BR.

Segundo, T. (2007). Afetividade no processo de ensino-aprendizagem: a atuação docente que facilita ou dificulta a aprendizagem. (Dissertação de Mestrado). Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, BR.

Silva, C. de S. & Albuquerque, I. N. (2015). A afetividade na aprendizagem: o olhar de alunos do 6° ano do Ensino Fundamental. Revista do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica, 3, (2), 3-18. Silva, D. L. da. (2007). Do gesto ao símbolo: a teoria de Henri Wallon sobre a formação simbólica. Educar, 30, 145-163. Recuperado em 13 de janeiro de 2019, de http://www.scielo.br/pdf/er/n30/a10n30.pdf.

Silva, S. (2014). 50 atitudes do professor de sucesso. Petrópolis, BR: Vozes.

Tapia, J. A. & Fita, E. C. (2015). A motivação em sala de aula: o que é, como se faz. (11ª ed.). (Garcia, S., Trad.). São Paulo, BR: Edições Loyola.

Tassoni, E. C. M. (2000). Afetividade e produção escrita: a mediação do professor em sala de aula. (Dissertação de Mestrado). Universidade Estadual de Campinas, SP, BR.

Tassoni, E. C. M. (2008). A dinâmica interativa na sala de aula: as manifestações afetivas no processo de escolarização. (Tese de Doutorado). Universidade Estadual de Campinas, SP, BR


Texto completo: PDF

Refbacks

  • No hay Refbacks actualmente.